Tour Overview

“ (…) tudo nestas paragens são grandezas, mas para Sortelha aldeia de sortilégio, não se encontrará comparação fácil “.
“ Castelo Novo é uma das mais comoventes lembranças do viajante. Talvez um dia volte, talvez não volte nunca, talvez até evite voltar, apenas porque há experiências que não se repetem”.
Monsanto: entender o que há de pedra nas pessoas, descobrir o que das pessoas passou à pedra.
Erguem-se, com altivez, nos morros graníticos, guardam memórias de outros tempos, de batalhas sangrentas, mas também de festejos e casamentos reais. Cristalizadas no tempo, contam com as muralhas para as proteger e teimam, nas suas torres de menagem, em perscrutar, na linha do horizonte, as ameaças a leste, pois há quem diga que daquele lado nem bom vento, nem bom casamento. São as aldeias históricas de Portugal que muito têm que contar. Nesta viagem selecionámos cinco das mais belas: Belmonte, Sortelha, Trancoso, Monsanto e Idanha-a-Velha que, devido á sua identidade e valor histórico-cultural ,oferecem-nos o que há de mais genuíno em Portugal.

1 Dia – Lisboa, Belmonte, Caria

Falar de Belmonte é falar da última comunidade de Crypto-judeus e dos Descobrimentos Portugueses, pois foi berço do grande capitão da armada Pedro Álvares Cabral. A designação de Belli monte testemunha o carácter defensivo da antiga povoação e a importância do seu castelo que, mais tarde, e em contextos bem mais pacíficos, foi transformado no solar dos Cabrais.
A nossa visita tem início no castelo que, com o de Sortelha e Vila de Touro, formava até finais do século XIII, a linha defensiva do Alto Côa. Subimos à Torre de Menagem e apreciamos a bela vista sobre o vale da Cova da Beira e Serra da Estrela.
Prosseguimos na Igreja de São Tiago e Panteão dos Cabrais, conjunto classificado como monumento nacional. Na capela da Nossa Senhora da Piedade encontramos, na opinião do Nobel José Saramago, uma das peça mais comoventes da escultura românica: a Pietá. Destacamos ainda a arca tumular que guarda, simbolicamente, as cinzas de Pedro Álvares Cabral. Já no terreiro, frente à bonita janela manuelina do Paço, vemos uma réplica da cruz, em pau-brasil, que Pedro Álvares Cabral teria deixado na Terra de Vera Cruz.
Continuamos o percurso pelo bairro da comunidade judaica e visitamos a sinagoga Bet Eliahu. Durante o caminho, pelas ruas estreitas, e entre casas de granito térreas, detectamos um conjunto de símbolos cruciformes que testemunham a presença desta comunidade ao longo de séculos e que, no maior sigilo e estratégia de sobrevivência, conseguiu preservar as tradições, rituais e costumes, como acender velas no jantar de sexta-feira e jejuar uma vez por ano.
O Museu Judaico (único em Portugal), retrata a história da presença sefardita e integra um memorial sobre as últimas vítimas da inquisição, é um espaço cultural de grande interesse.
Continuamos a visita no Museu dos Descobrimentos – Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo ( antigo Solar dos Cabrais) e no Museu do Azeite.
Antes de partir para Caria prestamos uma pequena homenagem ao capitão que, representado por Álvaro de Brée (1961), surge-nos em pose serena segurando o astrolábio, uma espada e uma cruz.
A pequena vila de Caria tem um espólio histórico muito interessante e do qual destacamos: a Casa da Torre; a Igreja matriz da Nossa Senhora da Conceição, a “Casa da Roda” onde está patente uma exposição sobre Casas da Roda e os solares, em particular o de Quevedo Pessanha do século XVIII.
De regresso a Belmonte é hora para relaxar na Pousada Convento da Nossa Senhora da Esperança, mas antes propomos uma experiência gastronómica única, no restaurante da Pousada: “Bacalhau lascado dos lugares dos cabrais”; “Javali à Frei Humberto revestido com migas de broa de milho e alecrim e o “Leite creme do convento”.
Alojamento em Belmonte

2 Dia – Belmonte, Colmeal da Torre, Sortelha, Trancoso

O nosso dia começa em Colmeal da Torre, local onde encontramos uma antiga villa romana, do século I, Centum Cellas. Este edifício envolto em alguma polémica quanto à sua funcionalidade é testemunho da importância da região no período romano já que perto existiria a estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emérita Augusta ( Mérida).
Entre o cabeço de São Cornélio e a Serra da Opa nasceu uma das belas aldeias de Portugal. Sem grandes monumentos, mas com um conjunto patrimonial tipicamente beirão, Sortelha (Sortícula ou Sórtija) cristalizou no tempo, fenómeno que lhe atribuiu um valor incalculável. A visita começa pelo Castelo e Torre de Menagem, onde podemos ver outras povoações que, na Idade Média, tiveram um importante papel defensivo da zona raiana. Percorremos a povoação, e seguindo pela Rua Direita observamos um conjunto patrimonial de rara beleza composto por casas quinhentistas, solares, igrejas e capelas. De destaque a antiga casa da Câmara e Cadeia; a casa do Governador do Concelho de Sortelha, a residência Paroquial ou Passal, a Igreja Matriz com a sua torre sineira e as “ malguinhas da fidalga”. A ver ainda, numa das portas da muralha, o registo das antigas medidas (palmo, côvado e braça) fundamentais em dias de feira.
Antes de partir para Trancoso fazemos uma pausa no Bar Forno esplanada e descobrimos o artesanato local (peças de madeira de castanho e artigos em bracejo) nas lojas da aldeia.

Agora em Trancoso, terra fria da Beira Alta (localiza-se a 885 metros de altitude), vamos conhecer uma cidade (recente) testemunha não só de festejos e casamentos, como o do rei D. Dinis com Isabel de Aragão, mas também, de confrontos violentos entre cristãos e muçulmanos.
Terra do “Nostradamus” português, o poeta profeta Bandarra, Trancoso tem uma riqueza patrimonial que foi reconhecida com a sua integração no programa das “aldeias históricas de Portugal”. Valorizamos na nossa visita os Paços do Concelho, o Pelourinho Manuelino, a Igreja da Misericórdia e a Igreja de S. Pedro.
Dentro das suas muralhas, e na parte oriental da cidade, encontramos ainda o maior número de marcas cruciformes da Beira Alta e edifícios, como a Casa do Gato Preto, que testemunham a importância da comunidade judaica durante os séculos XIX/XV.

Regresso a Belmonte e alojamento na Pousada.

3 Dia – Castelo Novo, Monsanto, Idanha a Velha, Lisboa

No sopé beirão da Serra da Gardunha encontramos uma das “mais comovedoras lembranças”, no entender de José Saramago, a povoação de Castelo Novo. Estruturada em redor do seu castelo, cresceu adaptando-se às irregularidades morfológicas do terreno. Aqui ouvimos o murmurar constante da água (do Alardo) que o povo diz que “cai em pedrinhas, em pedrinhas cor de sal”.

Nas ruas estreitas, as casas tipicamente beirãs, de granito e sem reboco, são a identidade da aldeia. O pelourinho, a Casa da Câmara/ Paços do Concelho e Cadeia do tempo de D. Manuel I e o Chafariz barroco, do reinado de D. João são alguns dos monumentos a visitar. Depois do castelo, paramos na Lagariça ou Lagareta rudimentar lagar de pedra de origem romana.
Se a fome apertar aceitamos os conselhos dos “lagartos” (nome por que são conhecidos os castelos- novenses) e propomos como ementa o cabrito assado no forno de lenha ou refogado com migas de batata e para sobremesa papas de carolo feitas com grão de milho.
Retomamos viagem e no alto da Torre de Lucano, avistamos o galo (réplica do galo de prata) que lembra, a quem visita Monsanto, que esta aldeia, anos atrás, ganhou o prémio da “aldeia mais portuguesa”. Outras existirão, igualmente belas e únicas, mas Monsanto no alto do morro granítico encanta. Monte Sancto, doado no século XII ao Mestre da Ordem dos Templários, Gualdim Pais, terá sido, na sua origem, um castro lusitano famoso pela resistência aos romanos que os sitiaram durante 7 anos.
Hoje, ao ritmo dos adufes, festeja-se o dia, (3 de maio), em que a população arremessou um bezerro aos romanos como que a dizer que estavam bem e de saúde e prontos para mais 7 anos…Bem, não será um bezerro, mas um cântaro enfeitado de rosas.
Depois de uma subida corajosa entre casas quinhentistas, capelas e solares, estamos no castelo, notável exemplo medieval. No topo desfrutamos de uma paisagem única, a norte a Serra da Estrela e a Espanha a poucos Kms.

Não deixamos esta bela aldeia sem antes cumprimentar a melhor tocadora de adufe, a Srª Amélia Fonseca que, com a sua jovialidade e simpatia, canta e encanta, na arte de tocar este instrumento de origem árabe. Conta-nos a história da marafona, boneca de trapo, com atributos mágicos, que não convém menosprezar.
Na despedida lembramos Fernando Namora que viveu, trabalhou e escreveu os seus últimos livros nesta bela povoação de Monsanto.

Agora em Idanha-a-Velha (Egitania ou Antanya), vamos conhecer uma povoação que é a prova da presença, no nosso país, de várias civilizações. De município romano a terra de Templários, Idanha, mais tarde a velha, foi outrora uma cidade importante e de onde partiam várias estradas. Hoje, resiste ao abandono, continua museu, aberto e gratuito a todos os interessados.
A visita começa pelo Largo do pelourinho, antiga casa da Câmara e Cadeia e continua no Castelo dos Templários e Igreja de Santa Maria. Esta Igreja, Sé Catedral, foi adaptada e reconstruída ao longo dos séculos. Antiga mesquita islâmica é um dos mais belos exemplos da presença islâmica a norte de Portugal.
Terminamos este nosso roteiro com muitas memórias e experiências, mas antes do regresso a Lisboa propomos ainda que experimente os biscoitos típicos da região: os borrachões e as bicas de azeite que certamente tornarão a viagem de regresso mais saborosa.

Regresso a Lisboa

 

 

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Tour Prices

Neste tour está incluido :

  • Transporte personalizado
  • Guia exclusivo
  • Recolha no seu hotel em Lisboa
  • Free wifi e água engarrafada
  • Visitas conforme programa

O que não está incluido: Almoços ou jantares, Despesas pessoais, Quaisquer outras atividades, bilhetes para palácios ou museus ou despesas não mencionadas em “neste tour está incluído”