Lisboa Judaica

História Judaica de Lisboa:

A herança judaica faz parte da identidade de Lisboa.

Na Idade Média, os judeus tiveram um papel importante na administração do reino, na evolução urbana e nos negócios comerciais da cidade.

 Lisboa tinha quatro bairros judeus e muitas famílias viviam fora das áreas atribuídas aos judeus, um sinal da dimensão populacional que a comunidade alcançou no século XV. A maioria das pessoas não sabe que o Grande Bairro Judeu de Lisboa estava localizado na área da Baixa.

Após a reconquista Cristã, Lisboa manteve bairros onde viviam principalmente pessoas de outras religiões. Além da Mouraria, que ainda existe hoje, Lisboa possuía pelo menos quatro bairros judeus. No entanto, ao longo do século XIII até ao século XV, eles viveram quase lado a lado. A história judaica de Lisboa mostra-nos, que os judeus ocupavam uma área privilegiada no espaço da cidade.

Presentes em todo o reino, os judeus alcançaram significativa relevância económica, social, fiscal e cultural. Geralmente associados ao ambiente urbano, estabeleceram-se em áreas de forte identidade urbana, constituindo um bairro, quarteirão ou, numa escala mais modesta, apenas uma rua.  As áreas judaicas eram hierarquizadas sobretudo pela presença da sinagoga, ponto de convergência de toda a comunidade.

Mas a área reservada para a minoria judaica na zona urbana de Lisboa tendia a assumir grande semelhança naquilo que eram as Judiarias. Estas eram o resultado de escolhas similares quanto às suas localizações e orientações. Em conclusão, Bairro Judeu significava, uma rua, ou várias casas onde os judeus habitavam.

Nos primeiros tempos da monarquia, os judeus viviam em Lisboa em bairros com os cristãos. Embora em algumas destas áreas, eles tenham tido os seus próprios bairros.

A organização das Judiarias  

Todas as Judiarias, ou seja, os bairros judeus de Lisboa, obedeciam ao toque de recolher e, ao toque das Ave-Marias (18:00 horas). Após isto, os portões das Judiarias eram fechados para impedir a coexistência entre judeus e cristãos em Lisboa. A legislação era muito rigorosa em relação ao deslocamento de judeus para fora das comunas à noite, com interdições e/ou limitações de circulação não só de judeus no espaço cristão como de cristãos no espaço judaico e que eram particularmente severas para as mulheres. 

Como resultado, ao anoitecer em Lisboa, todos os portões dos Bairro Judeus eram fechados. Portanto, se o judeu não pudesse entrar a tempo, este, deveria dormir numa hospedaria com outros homens. É um facto que confirma a razão pela qual as mulheres judias não se afastavam da comuna à noite. Se um judeu tinha que sair à noite por algum motivo de força maior, este, deveria ser acompanhado por um cristão.

Alfama, o bairro mais antigo de Lisboa, já foi um bairro judeu. Ao longo da Rua da Judiaria, ainda é possível vermos a antiga localização da Sinagoga, bem como a casa que outrora pertenceu ao Rabino desta comuna. Estes são alguns dos vestígios do passado judaico de Alfama. Os judeus viveram nesta área de Lisboa até à sua expulsão em 1496 decretada por D. Manuel I.

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