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Das “Portas do Rodão” ao coração da Serra da Gardunha: As Cerejeiras em Flor.

Este percurso oferece-nos uma experiência marcada pelo valor cénico da paisagem, resultado não só dos caprichos e da força da natureza, mas também da persistência do Homem em preservar as tradições de outrora. Depois das montanhas quartzíticas e da dureza do granito, deslumbramo-nos com a beleza e fragilidade da flor da cerejeira.

Vila Velha de Rodão

Vila raiana, no distrito de Castelo Branco e banhada pelo rio Tejo. A importância da vila advém da sua antiga função defensiva e, mais tarde, do seu porto, que possibilitou a circulação de bens e pessoas, entre a Beira Baixa e o Alentejo. Até à construção do caminho-de-ferro na segunda metade do século XIX, o tráfego era muito activo e a travessia do Tejo era feita através de uma ponte de barcas.

Encontramos o “ex-libris” da região, localizado nas duas margens do rio, nos concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa. Um estreito, escavado entre duas imponentes montanhas quartzíticas, considerado monumento natural em 2009, pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade: as “Portas do Ródão”.

As águas do rio, agora domadas pela barragem de Fratel, correm mais calmas que outrora, quando as sirgas (antigos muros) davam apoio à navegação fluvial até ao porto do Tejo. É ainda possível ver o típico picareto ( barco a remos) que transportava produtos e passageiros por aquela que foi, durante muitos séculos, a única via de comunicação.

As escarpas coloridas, conforme as estações do ano, pela flor da urze, giestas e estevas, estão cobertas de matagais (medronheiros, zimbro, lentisco, murta e outras espécies) que dão abrigo a uma avifauna muito diversificada e rara. Como seja o caso das cegonhas negras, dos grifos (a maior colónia do país), das águias e do bufo real.

A região foi referida, por alguns cientistas como o “último paraíso ecológico” pois, devido ao clima ameno e orografia, plantas, animais e homens escolheram este sítio para viverem. Quanto aos homens o CIART ( Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Tejo)  divulga, através de uma exposição, as diferentes expressões culturais dos habitantes pré-históricos da região.

Castelo Branco

Cidade da Beira Baixa, detentora de um rico património cultural e histórico. Antigos solares, igrejas e capelas, decoradas com elementos em talha dourada ou completamente revestidas de azulejos. Um notável cruzeiro, classificado como monumento nacional e o antigo Paço Episcopal, seiscentista. O famoso jardim barroco onde os lagos, as cascatas e a estatuária, entre alamedas de buxo, convidam ao recolhimento.

Doada à Ordem dos Templários, pelo primeiro rei português, a cidade desenvolveu-se à volta do seu castelo. Deste, apenas sobreviveram as muralhas mas, do alto da colina é possível, assim o tempo o permita, vislumbrar o curso superior do rio Tejo, até à zona raiana. Da urbe medieval resistem o nome das ruas, testemunhas das actividades artesanais (rua dos Ferreiros, dos Oleiros, dos Peleteiros , …). Dinâmica comercial a que não foi alheia, nos finais do século XV,  a comunidade sefardita  que aqui se estabeleceu após a expulsão de Espanha.

Terra de notáveis, viu nascer, entre outros, o médico e professor universitário, João Rodrigues, mais conhecido por Amato Lusitano. Perseguido pela Inquisição, acabou os seus dias sobre a protecção do sultão Solimão, o “Magnifico”.

Fundão

Situada em plena Cova da Beira, palco das cerejeiras das cerejeiras em flor, entre as Serras da Gardunha e da Estrela. Localização que lhe dá características muito especiais para o desenvolvimento da pastorícia e prática agrícola, potenciando a produção e exploração de produtos endógenos de qualidade impar. Como a Cereja do Fundão ou a castanha, o mel, o vinho, o azeite, os cogumelos silvestres. Também o queijo e os enchidos entre outros, que desde sempre estiveram na base da gastronomia da população local.

Datam da Idade Média os primeiros documentos escritos que testemunham a existência da localidade de “Fõdom” que, nos séculos XV e XVI. Desenvolver-se-ia com base na próspera manufactura (ligada aos lanifícios). Esta riqueza do núcleo é visível na então construção de cinco, das suas singulares capelas quinhentistas.

Terra abençoada, a região da Cova da Beira, oferece-nos cenários que agora, na Primavera, são embelezados pelo imenso branco das cerejeiras em flor. A sua plantação, iniciada há mais de 100 anos, beneficiou do microclima desta região que ofereceu ao país a maior área de cerejal.

Alcongosta

Em plena Serra da Gardunha, perto do caminho romano que ligava o norte e o sul da Serra. Durante o percurso paramos em miradouros que nos possibilitam ver as plantações de cerejas. As águas das ribeiras, límpidas e cristalinas por entre a  floresta de pinheiros, pseudotugas e sequoias.

As actividades artesanais como as oficinas de esparto (planta recolhida na Serra da Gardunha) as dos cesteiros (verga de castanheiro). E os “refogadouros” (locais onde se tratam as varas de castanheiro para produção dos cestos) integram este roteiro pelo património beirão.

 

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