Descubra Portugal

Descubra Portugal

Descubra Portugal das “Portas do Rodão” ao coração da Serra da Gardunha: As Cerejeiras em Flor.

De 28 de março a 12 de abril

Com a duração de dois dias, este percurso oferece-nos uma experiência marcada pelo valor cénico da paisagem, resultado não só dos caprichos e da força da natureza, mas também da persistência do Homem em preservar as tradições de outrora. Depois das  montanhas quartzíticas e da dureza do granito, deslumbramo-nos com a beleza e fragilidade da flor da cerejeira.

Descubra o centro de Portugal

1º Dia: Lisboa – Vila Velha de Ródão – Castelo Branco – Fundão

A nossa primeira paragem é em Vila Velha de Rodão, vila raiana, no distrito de Castelo Branco e banhada pelo rio Tejo. A importância da vila advém da sua antiga função defensiva e, mais tarde, do seu porto, que possibilitou a circulação de bens e pessoas, entre a Beira Baixa e o Alentejo. Até à construção do caminho-de-ferro na segunda metade do século XIX, o tráfego era muito ativo e a travessia do Tejo era feita através de uma ponte de barcas.

Encontramos o “ex-libris” da região, localizado nas duas margens do rio, nos concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa, um estreito, escavada entre duas imponentes montanhas quartzíticas, considerado monumento natural em 2009, pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade: as “Portas de Ródão”.

As águas do rio, agora domadas pela barragem de Fratel, correm mais calmas que outrora, quando as sirgas (antigos muros) davam apoio à navegação fluvial até ao porto do Tejo. É ainda possível ver o típico picareto ( barco a remos) que transportava produtos e passageiros por aquela que foi, durante muitos séculos, a única via de comunicação.

Descubra as escarpas coloridas nesta região de Portugal conforme as estações do ano, pela flor da urze, giestas e estevas. Estão cobertas de matagais (medronheiros, zimbro, lentisco, murta e outras espécies) que dão abrigo a uma avifauna muito diversificada e rara, como seja o caso das cegonhas negras, dos grifos (a maior colónia do país), das águias e do bufo real. A região foi referida, por alguns cientistas como o “último paraíso ecológico” pois, devido ao clima ameno e orografia, plantas, animais e homens escolheram este sítio para viverem. Quanto aos homens o CIART ( Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Tejo)  divulga, através de uma exposição, as diferentes expressões culturais dos habitantes pré-históricos da região.

Continuamos a nossa viagem pelo centro de Portugal em direção a Castelo Branco, cidade da Beira Baixa, detentora de um rico património cultural e histórico: antigos solares, igrejas e capelas, decoradas com elementos em talha dourada ou completamente revestidas de azulejos, um notável cruzeiro, classificado como monumento nacional e o antigo Paço Episcopal, seiscentista, com o famoso jardim barroco onde os lagos, as cascatas e a estatuária, entre alamedas de buxo, convidam ao recolhimento.

Doada à Ordem dos Templários, pelo primeiro rei de Portugal, a cidade desenvolveu-se à volta do seu castelo. Deste, apenas sobreviveram as muralhas mas, do alto da colina é possível, assim o tempo o permita, vislumbrar o curso superior do rio Tejo, até à zona raiana. Da urbe medieval resistem o nome das ruas, testemunhas das atividades artesanais (rua dos Ferreiros, dos Oleiros, dos Peleteiros , …) e dinâmica comercial a que não foi alheia, nos finais do século XV,  a comunidade sefardita  que aqui se estabeleceu após a expulsão de Espanha.

Terra de notáveis, viu nasceu, entre outros, o médico e professor universitário, João Rodrigues, mais conhecido por Amato Lusitano que, perseguido pela Inquisição, acabou os seus dias sobre a proteção do sultão Solimão, o “Magnifico”.

Chegamos à cidade do Fundão, situada em plena Cova da Beira, entre as Serras da Gardunha e da Estrela, localização que lhe dá características muito especiais para o desenvolvimento da pastorícia e prática agrícola, potenciando a produção e exploração de produtos endógenos de qualidade impar, como a Cereja do Fundão ou a castanha, o mel, o vinho, o azeite, os cogumelos silvestres, o queijo e os enchidos entre outros, que desde sempre estiveram na base da gastronomia da população local.

Datam da Idade Média os primeiros documentos escritos que testemunham a existência da localidade de “Fõdom” que, nos séculos XV e XVI, desenvolver-se-ia com base na próspera manufatura (ligada aos lanifícios). Esta riqueza do núcleo é visível na então construção de cinco, das suas singulares capelas quinhentistas.

Antes do jantar teremos oportunidade de visitar a zona histórica da cidade e passear por uma das ruas mais importantes, a “Rua da Cale” para onde convergiam e converge  o comércio tradicional.

Alojamento no Fundão.

 2ºdia: Aldeia de Alcongosta ( passeio pedestre) – Fundão –  Lisboa

Este dia é dedicado na integra a esse maravilhoso fruto que é a cereja. Terra abençoada, a região da Cova da Beira, oferece-nos cenários que agora, na Primavera, são embelezados pelo imenso branco das flores de cerejeira. A sua plantação, iniciada há mais de 100 anos, beneficiou do microclima desta região que ofereceu ao país a maior área de cerejal.

O nosso passeio começa em Alcongosta  (congosta = caminho apertado), em plena Serra da Gardunha, perto do caminho romano que ligava o norte e o sul da Serra. Durante o percurso paramos em miradouros que nos possibilitam ver as plantações de cerejas. As águas das ribeiras, límpidas e cristalinas acompanham-nos neste passeio e por entre a  floresta de pinheiros, pseudotugas e sequoias chegamos de novo ao centro da aldeia. As atividades artesanais como as oficinas de esparto (planta recolhida na Serra da Gardunha) as dos cesteiros (verga de castanheiro) e os “refogadouros” (locais onde se tratam as varas de castanheiro para produção dos cestos) integram este roteiro pelo património beirão.

Depois do almoço, continuamos ao ritmo da cereja descobrindo a árvore, o fruto em todo o seu ciclo, processo de cultivo e produção de uma forma interativa e didática no Centro Interpretativo da Cereja.

Antes do regresso a Lisboa propomos que experimente o licor de cereja, ou em alternativa, chá ou café de pés de cereja  e saboreie os pastéis do mesmo fruto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *